
A relação entre obesidade e câncer: um alerta para a saúde pública
O aumento da obesidade é um fenômeno preocupante, especialmente no Brasil, onde o número de pessoas afetadas cresceu 118% entre 2006 e 2024, conforme dados do Ministério da Saúde. Este aumento não se limita a questões estéticas, mas está diretamente relacionado a riscos de doenças graves, como o câncer. No Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, especialistas ressaltam que a obesidade é um fator de risco reconhecido para pelo menos 13 tipos de câncer, além de agravar o prognóstico e dificultar o tratamento oncológico.
Obesidade e câncer: evidências científicas
A ligação entre obesidade e câncer é amplamente reconhecida pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC). De acordo com a IARC, o excesso de peso está associado a diversos tipos de tumores, incluindo:
- Câncer de mama pós-menopausa
- Câncer colorretal
- Câncer de endométrio
- Câncer de fígado
- Câncer de rim
- Câncer de pâncreas
- Câncer de esôfago
- Câncer de estômago
Estudos internacionais estimam que entre 4% e 6% dos casos de câncer podem ser atribuídos diretamente à obesidade, e esse número tende a aumentar com o agravamento dessa condição de saúde.
Como a obesidade favorece o desenvolvimento do câncer
Segundo o oncologista Antonio Cavaleiro, coordenador da linha oncológica do Hospital Santa Catarina – Paulista, o impacto da obesidade vai além do aumento da incidência do câncer. O excesso de gordura corporal provoca alterações significativas no funcionamento do organismo, incluindo:
- Inflamação crônica de baixo grau
- Alterações hormonais, especialmente no estrogênio
- Resistência à insulina
- Aumento da produção de substâncias inflamatórias
Esses fatores criam um ambiente metabólico propício para o surgimento e a progressão de tumores. Pacientes com obesidade frequentemente enfrentam complicações durante o tratamento, têm maior dificuldade em responder às terapias e apresentam risco aumentado de efeitos colaterais.
Alimentação e obesidade: um ciclo vicioso
Outro aspecto importante na discussão sobre obesidade e câncer é o padrão alimentar atual. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e aditivos, está diretamente relacionado ao crescimento da obesidade. Uma meta-análise publicada em 2023 revelou que cada aumento de 10% no consumo desses produtos está associado a um aumento significativo no risco de câncer, especialmente os de mama e colorretal.
Impacto da microbiota e da inflamação
Dietas ricas em ultraprocessados podem provocar desequilíbrios na microbiota intestinal, aumento da inflamação sistêmica e alterações no metabolismo da glicose. Esses mecanismos favorecem o desenvolvimento tumoral ao longo dos anos, tornando a alimentação uma peça chave na prevenção do câncer.
Obesidade e tratamento oncológico: um desafio adicional
A obesidade não apenas aumenta o risco de câncer, mas também pode comprometer os resultados do tratamento. Entre os desafios mais comuns enfrentados por pacientes obesos estão:
- Maior risco de complicações cirúrgicas
- Dificuldade no ajuste de doses de quimioterapia
- Maior chance de efeitos adversos
- Recuperação mais lenta após procedimentos
Por isso, o acompanhamento multidisciplinar é considerado essencial desde o diagnóstico. Profissionais de saúde devem trabalhar em conjunto para otimizar o tratamento e os cuidados dos pacientes com sobrepeso.
O envelhecimento da população e o aumento do câncer
A obesidade se soma a outro fator preocupante: o envelhecimento da população. Dados da IARC indicam que o número global de novos casos de câncer pode crescer 77% até 2050, impulsionado principalmente pela transição demográfica. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 700 mil novos casos de câncer por ano, com uma maior concentração entre pessoas acima dos 60 anos.
Prevenção: um passo essencial para a saúde
Especialistas destacam que a obesidade é um fator modificável, o que torna a prevenção ainda mais estratégica. Algumas ações fundamentais incluem:
- Adotar uma alimentação baseada em alimentos naturais
- Reduzir o consumo de ultraprocessados
- Praticar atividade física regularmente
- Controlar o peso corporal
- Realizar acompanhamento médico periódico
Investir em prevenção, rastreamento e promoção da saúde é essencial para reduzir a mortalidade por câncer e melhorar os desfechos clínicos.
A necessidade de políticas públicas e educação alimentar
O aumento da obesidade e sua relação com o câncer enfatizam a necessidade de políticas públicas, educação alimentar e acesso à informação. Cuidar do peso é uma estratégia de proteção à saúde a longo prazo e deve ser uma prioridade nas agendas de saúde pública.
Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.